Wagner Moura agradece Bolsonaro — e a frase vira espelho do Brasil

Wagner Moura

Um agradecimento que não é agradecimento

Wagner Moura apareceu em um talk show nos EUA e soltou uma frase que parecia impossível: “agradeço a Bolsonaro”, porque sem ele O Agente Secreto não existiria. O recorte, claro, virou munição imediata nas redes — e muita gente correu para interpretar como elogio.

Só que não é isso.

O “agradecimento” é uma ironia afiada, quase um tapa de luva: ele sugere que certos tempos políticos criam uma urgência artística, como se a realidade empurrasse o artista para o limite. Não é gratidão. É reação.

Quando a política vira roteiro

Em outras palavras: o filme nasce do clima. Do medo. Da sensação de repetição histórica. Moura transforma o absurdo em linguagem — e usa a retórica do inimigo para denunciar o próprio inimigo.

Esse tipo de fala não pede “torcida”, pede leitura. Porque no Brasil atual, uma frase pode valer menos do que um print, e um print pode valer mais do que o contexto inteiro.

E talvez seja exatamente esse o ponto: quando a política vira roteiro, a indignação vira matéria-prima — e a plateia, às vezes, a prova do enredo.

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