Nenhuma fala é tão reveladora quanto aquela que se anuncia como mentira. Sally finge um orgasmo com a precisão de quem já ensaiou o gesto em silêncio, diante do espelho ou da memória dos outros. Seus gemidos são demasiado perfeitos: ritmados como verso, crescendo em cadência dramática, culminando em um suspiro que até o ketchup na mesa parece ouvir. E, […]
“Zed is dead, baby!”: O grito que enterrou o herói e ressuscitou o signo
Nem todo morto morre uma só vez. Alguns expiram duas: primeiro no enredo, depois no imaginário. Zed, o carcereiro do porão em Pulp Fiction, pertence a essa categoria. Zed não tem nome completo, nem passado, nem fala relevante. Só tem uma função — ser o fundo do porão; ser o que justifica o que virá. E ainda assim, sua morte […]
O Espelho Quebrado do Poder: Semiótica, Paródia e Verdade em O Grande Ditador
O globo de barbear flutua no ar — leve, redondo, irremediavelmente frágil. Nas mãos de Adenoid Hynkel, ditador da Tomania, ele é o mundo. Ele o acaricia, o gira, o abraça como se pudesse contê-lo entre os dedos. Por um instante, dança com ele. Por um instante, é ridículo.Mas o riso não chega inteiro. Algo já se desloca no estômago […]
O Duelo que Nunca Aconteceu: Cliff Booth, Bruce Lee e a Crise do Herói em Hollywood
Não há sangue ou golpe decisivo. Não há derrota declarada.E ainda assim, em um corredor poeirento dos estúdios, cercado por trailers e pelo zumbido distante de produções paralelas, em Los Angeles, 1969, ocorre um dos confrontos mais violentos do cinema contemporâneo — não pela força dos corpos, mas pela força dos mitos que eles carregam. Cliff Booth (Brad Pitt), com […]
Por que os Estados Unidos são o melhor país do mundo? — A Sinceridade Como Signo
Há cenas que entram para o imaginário coletivo não apenas pelo conteúdo, mas pela forma como reorganizam o modo como vemos o mundo. O famoso monólogo de Jeff Daniels no primeiro episódio de The Newsroom é uma delas. Ali, diante de uma plateia universitária esperando respostas seguras e previsíveis, o jornalista Will McAvoy abandona o conforto do discurso neutro e […]
Boyhood: Da Infância à Juventude e a Semântica do Cotidiano
Como Richard Linklater transformou o tempo em narrativa: a poética do envelhecer em tempo real – Mensagem e Movimento Quando Richard Linklater decidiu filmar Boyhood ao longo de 12 anos, ele não estava apenas criando um experimento cinematográfico – estava redefinindo como o cinema captura a essência da vida cotidiana. O filme, que acompanha o crescimento do jovem Mason (Ellar […]