O vermelho do Papai Noel não é apenas a cor do veludo ou do tafetá. É a cor do sangue, do sacrifício, do fogo que aquece e que consome. Noite Infeliz (Violent Night, 2022), dirigido por Tommy Wirkola, compreende essa dupla natureza com a frieza de um açougueiro e a precisão de um semiólogo. O filme não se contenta em vestir […]
A Arquitetura do Cerco: “Duro de Matar” e a Semiótica do Espaço Sitiado
O Natal é, por excelência, a narrativa da abertura. É o tempo simbólico da comunhão, da casa iluminada, da família reunida, da suspensão provisória dos conflitos. Mesmo quando esvaziado de fé, o Natal permanece como ritual: luzes acesas contra a noite, música ambiente, copos erguidos, promessas de reconciliação. Um intervalo civilizatório em que o mundo deveria, ao menos por algumas […]
O Corpo que Canta o Que Não Pode Ser Dito: ‘I’m Shipping Up to Boston’ e a Semiótica do Desaparecimento
O grito que começa com um tropeço Não há navegação sem desvio. E talvez nenhuma canção diga isso com tanta crueza quanto “I’m Shipping Up to Boston”: um homem sem perna, sem memória, sem rumo — mas com um mapa.Ou melhor: com a certeza de que tem um mapa.Essa contradição não é defeito narrativo. É o cerne da obra. A […]
Trópicos do Medo: Entre o Documentário e o Monstro em Anaconda
A câmera desce o rio — mas não é só o barco que navega: é o olhar ocidental, armado de lente, entrando numa floresta que não pediu para ser filmada.O motor ronca baixo. As árvores se fecham como pálpebras. Ninguém nota, ainda, que o que está sendo gravado não é um documentário sobre os Shuar, mas o testamento de um […]
Quem Conta a História Mata o Morto – Uma leitura semiótica de Entre Facas e Segredos: quando o narrador não é confiável, mas o mundo inteiro também não é…
O primeiro plano de Entre Facas e Segredos não mostra um rosto, nem uma arma, nem mesmo sangue. Mostra um relógio. Não qualquer relógio: um mecanismo com engrenagens expostas, em close, girando com precisão quase arrogante. É o tempo de Harlan Thrombey — escritor de mistérios, patriarca, maestro da própria narrativa — ainda funcionando, mesmo quando seu corpo já não […]
Entre o Osso e o Sonho: Semiologia do Corpo Cansado em À Procura da Felicidade
Há corpos que falam antes de abrir a boca.O de Chris Gardner — ou melhor, o de Will Smith como Chris Gardner — diz mais nas costas levemente curvadas ao entrar no escritório do que em qualquer discurso motivacional. Diz mais na forma como segura o filho enquanto dorme no chão de cerâmica fria do banheiro da estação de trem […]