O Silêncio Antes da Manchete Nem toda violência começa com um golpe.Algumas começam com um silêncio. Antes de virar nome em portais de notícia, antes de mobilizar protestos e indignações digitais, Orelha era apenas um cão comunitário que circulava pela Praia Brava, em Florianópolis, reconhecido por alguns, ignorado por muitos. Existia na fronteira discreta entre o afeto informal e o […]
A Abelha, o Boi Morto e a CEO Alienígena: A Sátira de Bugonia sobre a Busca de Sentido na Era da Pós-Verdade
Um sequestro, às vezes, é um ritual. Uma cerimônia de desespero onde o sequestrador não busca resgate, mas significado. É a partir desse ato bizarro – o aprisionamento de Michelle Fuller, uma CEO farmacêutica interpretada com frieza por Emma Stone, por dois primos marginalizados – que Yorgos Lanthimos constrói Bugonia, seu filme de 2025. É uma obra que disseca a crise […]
Groenlândia, Pinguins e a Fabricação do Real: A Semiótica do Absurdo na Era Digital
A Encenação do Impossível Nem toda mentira pretende enganar. Algumas buscam exibir seu próprio mecanismo de fabricação, desafiando o espectador a distinguir entre a provocação cínica e o delírio sincero. Na noite de 23 de janeiro de 2026, a conta oficial da Casa Branca no X, publicou uma imagem atribuída à comunicação oficial. Nela, vemos as costas do presidente, caminhando […]
Sirāt: A Travessia Cinematográfica Entre Êxtase e Fim do Mundo
Nem toda festa celebra a vida. Algumas existem apenas para adiar o colapso. Em Sirāt, a rave não é um acontecimento — é um sintoma. Corpos dançam no deserto como se o movimento pudesse suspender o tempo, como se o som alto fosse capaz de abafar a evidência mais brutal: não há para onde ir. Lançado em 2025 e dirigido […]
Por que o Pobre vota na Direita no Brasil?
O Código do Tapir: Semiótica, Afeto e a Reconfiguração do Voto Popular no Brasil Introdução O maior enigma político brasileiro das últimas décadas está estampado em adesivos no vidro de caminhões, broches em paletós e bandeiras em carreatas. É um mamífero herbívoro de focinho comprido, um animal que muitos eleitores jamais viram na natureza, mas que aprenderam a reconhecer como […]
Amor, Estranho Amor: a pornografia do olhar — quando o cinema vira tribunal
Nota: texto de crítica cultural; não há erotização; tema sensível; recomendado para adultos. Nem todo filme é assistido. Alguns são julgados. Há obras que entram no imaginário público pelo que supostamente “ousaram fazer”: arranhar o pudor. Amor, Estranho Amor, lançado em 1982 e dirigido por Walter Hugo Khouri, pertence a essa linhagem — a dos filmes que deixam de ser […]