Nem toda mentira precisa de palavras Uma imagem de satélite mostra nuvens espessas sobre uma cidade. O texto ao lado afirma: “Esta é a fumaça dos protestos de ontem.”Você acredita.Não porque leu uma prova, mas porque reconheceu algo — o cinza, a densidade, o contorno familiar da geografia. O signo já havia fechado seu sentido antes que a dúvida tivesse […]
A Derrota do Belo: Por Que as Obras-Primas Não Vendem Ingressos?
Um ensaio sobre linguagem, tempo e a estranha solidão dos filmes que chegam cedo demais. Na sexta-feira de estreia de O Mestre (The Master – 2012), em um cinema de bairro no centro de São Paulo, havia doze pessoas na sessão das 21h.Na mesma noite, a três quilômetros dali, Os Vingadores (The Avengers) lotava sessões consecutivas até a meia-noite — […]
Não Dizer, Não Ver, Não Lembrar: A Política do Esquecimento no 1º de Dezembro
No imaginário pop, a AIDS nunca foi apenas uma doença — foi uma estética, um grito, um silêncio imposto e depois quebrado. Está na voz rouca de Freddie Mercury em The Show Must Go On, nos cartazes fluorescentes do ACT UP colados como guerrilha urbana, no episódio de Pose em que o luto vira desfile, na fúria de Angels in […]
A Semiótica do Filme Inexistente: O Caso “Dark Horse” e o Ciclo das Fake News
(Este não é um artigo político. É um estudo sobre narrativa, mídia e percepção.) Boatos de cinema sempre existiram, mas alguns se tornam tão complexos que quase parecem roteiros prontos para as telonas. Foi o que aconteceu recentemente com a história de que Dark Horse, uma suposta cinebiografia de Jair Bolsonaro, estaria sendo produzida em Hollywood — com direito a […]
A Maleta de Pulp Fiction: o Significado do MacGuffin que Brilha
Há objetos que existem menos pelo que são do que pelo vazio que carregam. A maleta em Pulp Fiction não contém ouro, documentos secretos ou uma cabeça decepada. Não contém nada que os olhos possam fixar. E ainda assim, quando Vincent abre a trava e Jules se ajoelha, algo irradia: uma luz dourada, quase litúrgica, que banha os rostos como […]
4’33’’: O Som do Nada – John Cage e a Escultura do Silêncio
O pianista levanta as mãos sobre o teclado e não as baixa. O gesto, congelado, torna-se o centro de um furacão de expectativa. Na sala de concerto, um ritual é subvertido: o intérprete não produz, o compositor não comanda, a obra não emite um som. 4’33” de John Cage não é uma peça sobre o silêncio, mas uma escultura de tempo […]