A Meia-Irmã Feia: O Corpo Imperfeito e o Colapso do Mito da Princesa

Cena de A Meia-Irmã Feia

Uma leitura semiótica sobre o longa norueguês que quebra o espelho de Cinderela e revela o que resta quando a beleza deixa de ser um destino O conto de fadas é o primeiro espelho. Nele, aprendemos a medir narizes, cinturas e destinos. A promessa é antiga: a beleza será coroada, a virtude recompensada, a feiura punida. É um contrato silencioso […]

Continue Lendo

Enterre Seus Mortos: A Poética do Declínio em Marco Dutra e Ana Paula Maia

Enterre seus Mortos - cena do filme

Há fins do mundo que chegam com estrondo. Fogo, cataclismo, ruína espetacular. O apocalipse de Marco Dutra em Enterre Seus Mortos é de outra ordem: mais insidioso, mais corrosivo. É um colapso que não se anuncia, mas se instala pela via da rotina. O filme, baseado no livro de Ana Paula Maia, não investiga o evento catastrófico, e sim seu […]

Continue Lendo

O Tempo como Espelho Partido: o Envelhecer na Cultura Brasileira

O corpo como espelho da época

O tema do Enem 2025 — “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira” — ultrapassa os limites da redação. Ele toca uma ferida simbólica: a forma como o Brasil, país obcecado pela juventude, lida com o tempo, a memória e o corpo. Envelhecer, aqui, é quase uma transgressão estética. É lembrar, em um mundo que quer esquecer. Vivemos numa era […]

Continue Lendo

A Senha Era ‘Louvre’: O Colapso do Simbólico na Era do Básico

Um login screen estilizado com a palavra “LOUVRE” como senha digitada em negrito

Um ícone não cai pelo assédio de um exército, mas pelo descuido na porta dos fundos digitais. A notícia de que o sistema de segurança do Louvre teria sido comprometido por uma senha de complexidade risível – a própria palavra “Louvre” – é mais do que uma falha técnica; é uma parábola semiótica perfeita para nosso tempo. O museu que […]

Continue Lendo

Por Trás do True Crime: Como “Tremembé” na Prime Video Revela o Brasil que Consome sua Própria Tragédia

Marina Ruy Barbosa, Felipe Simas e Kelner Macêdo

O corpo de uma mulher é encontrado em um terreno baldio em Tremembé, cidade do interior paulista. Este é o fato, cru e desprovido de roteiro. Mas um fato, por mais brutal que seja, é apenas um ponto de partida. A partir dele, ergue-se uma catedral de interpretações, uma coreografia de imagens, uma indústria do morbo. “Tremembé”, série original da […]

Continue Lendo

O Viandante Imóvel: A 36ª Bienal de São Paulo e a Prática do Humano

Vista interna do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, com rampas modernistas desenhadas por Oscar Niemeyer.

Entre rampas modernistas e bússolas quebradas, a 36ª Bienal de São Paulo propõe uma jornada interior. Um olhar sobre a arte como prática do humano em tempos de colapso. Nem todo viandante anda estradas. Às vezes, a travessia mais radical é a que nos prende ao chão, imobilizando-nos diante do abismo que carregamos dentro. A 36ª Bienal de São Paulo, […]

Continue Lendo