O Canto do Desastre: “The Morning After” e a Construção da Resiliência no Imaginário Americano

Há promessas que nascem do desespero. Hinos que emergem de destroços. Em 1972, enquanto o SS Poseidon virado servia de alegoria para uma América em crise – Nixon, Watergate, a Guerra do Vietnã –, uma canção surgia das profundezas ficcionais para oferecer um salva-vidas musical.  The Morning After, interpretada por Maureen McGovern, a música-tema de O Destino do Poseidon; era uma fórmula sonora […]

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Brasil, 8 de Janeiro de 2023 – Arquitetura, Violência Simbólica e Iconoclasmo Político em Brasília

A arquitetura é a linguagem mais perene do poder. Ela não apenas abriga instituições, mas as corporifica em concreto, vidro e linha. As colunas que sustentam, as cúpulas que abrigam, os planos inclinados que conduzem o olhar – cada elemento é um verbo no discurso mudo da autoridade. Em Brasília, esse discurso foi escrito com audácia utópica por Oscar Niemeyer […]

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O Agasalho de Maduro

Na madrugada de sábado, 3 de janeiro de 2026, uma imagem atravessou o mundo: Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, aparecia vendado e algemado em uma fotografia divulgada por Donald Trump. Em poucas horas, porém, o epicentro do interesse global migrou. Não eram a soberania violada, os termos jurídicos ou o futuro de uma nação que incendiavam as buscas na internet. […]

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“O Mestre dos Magos Não Está”: Semiótica, Publicidade e a Caverna do Dragão

O primeiro mandamento da memória afetiva é não perturbar seus fantasmas. Eles habitam um território sagrado, de contornos definidos pela repetição e pela incompletude. Perturbá-los é arriscar-se a dissipar o encanto ou, pior, a revelar a engrenagem por trás da ilusão. Em 2023, a Renault, através da agência Publicis Conseil, fez mais do que perturbar: ela invadiu o santuário de […]

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A Última Noite do Ano e a Primeira Ilusão: A Linguagem do Acaso na Construção de um Brasil em Transição

Em 31 de dezembro, quando o relógio se prepara para cortar a linha invisível entre um ano e outro, o Brasil realiza, ao mesmo tempo, dois rituais coletivos. Um é ancestral, público e barulhento: vestir-se de branco, lançar flores ao mar, fazer promessas sob o estrondo de fogos. O outro é moderno, íntimo e silencioso: raspar o cupom, preencher dezenas, […]

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O Espetáculo do Fim: Como a Avenida Paulista Encena o Ano Novo 

Toda sociedade é uma trupe de teatro. Inventa cerimônias e escreve roteiros coletivos para ritos que dão sentido ao caos do tempo. O Réveillon da Avenida Paulista, oficializado em 2016 e hoje o maior evento do gênero no país, é a mais clara evidência dessa vocação dramática. Não se trata apenas de uma festa de rua. É uma encenação monumental, cuidadosamente […]

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