À meia-noite do dia 31 de dezembro, em pontos dispersos do globo, milhões de pessoas executam, em sincronia aproximada, uma coreografia de gestos peculiares. Pulam sete ondas no litoral brasileiro, engolem doze uvas às pressas sob o relógio da Puerta del Sol em Madrid, colocam lentilhas no prato na Itália, vestem roupas íntimas amarelas ou brancas. Não se trata de […]
60 Segundos de Vidro e Luz: Anatomia de um Ritual Global na Engrenagem de Times Square
O mundo, por um minuto exato, para de girar em seu eixo. Gira, em vez disso, em torno de um ponto específico: o cruzamento da Broadway com a Sétima Avenida, em Manhattan. Lá, suspensa a 140 pés de altura, uma esfera de doze mil libras, forrada de cristais triangulares e pontilhada por milhares de LEDs, inicia sua descida controlada. São […]
O Espelho Dourado: o Poder e a Memória no Concerto de Ano Novo de Viena
No princípio de cada ano, no Hemisfério Norte, um espelho se ergue. Não é feito de vidro e prata, mas de ouro, luz e som. Durante noventa minutos precisos, o Musikverein de Viena reflete para o mundo uma imagem de perfeição: a harmonia como destino possível, a tradição como abrigo seguro, a ordem como fonte de alegria. O Concerto de Ano Novo […]
E Deus Criou a Mulher e o nascimento de Brigitte Bardot como ameaça cultural
Há um momento preciso em que uma pessoa deixa de ser carne e osso para se tornar um signo. Para Brigitte Bardot, esse momento tem nome, data e rolo de película: Et Dieu… Créa la Femme (E Deus Criou a Mulher), de 1956. O que a câmera de Roger Vadim capturou não foi apenas o despertar sexual de Juliette, uma órfana leviana […]
Dark Horse: O que Esperar Quando o Cinema Escolhe Não Ver
Este artigo é um ensaio crítico e interpretativo, escrito a partir dos materiais, anúncios e imagens que circulam publicamente sobre o projeto Dark Horse, antes de seu lançamento oficial. Não se trata de uma análise do filme concluído, mas de uma leitura sobre expectativas, enquadramentos narrativos e escolhas simbólicas que já se revelam no discurso promocional. O texto a seguir […]
Stranger Things: A Nostalgia como Simulacro e o Retorno do Recalcado Cultural
Não é uma TV dos anos 1980. É uma tela LED calibrada para parecer um CRT: o bloom artificial nas luzes de Natal, o scanline overlay digital, o contraste levemente esmagado para imitar fita VHS degradação controlada. Stranger Things não revive os anos 1980; simula sua memória afetiva. É menos ficção histórica que ficção mnemotécnica — um dispositivo que nos […]