Todo milagre começa com uma redução de escala. O divino, incomensurável, aceita confinar-se não apenas em um corpo de criança, mas em um espaço preciso: um estábulo, uma gruta, um cantinho da casa. O presépio é essa operação mágica de miniaturização do cosmos. Mais do que uma representação piedosa, é uma máquina narrativa complexa, um dispositivo semiótico onde convivem, em tensão permanente, […]