A marcha como espetáculo: quando o sacrifício vira narrativa na política e na cultura pop

O Corpo que Anda, a Câmera que Registra Há algo de primitivo no ato de caminhar, em grupo, sob o sol. O corpo que se move contra a inércia do poder não precisa de palavras para dizer o que quer. A marcha é, antes de tudo, um gesto: pés que batem o chão, rostos que encaram a distância, mãos que […]

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Hamnet: A Vida Antes de Hamlet e o nascimento da tragédia — semiótica do vazio

Nem toda tragédia nasce de um crime. Algumas nascem de um quarto vazio. Em Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (2025), dirigido por Chloé Zhao, o palco não aparece primeiro — aparece a casa. Antes do príncipe melancólico existir como texto, ele existe como ausência: a lacuna aberta pela morte de uma criança. O filme adapta o romance Hamnet (2020), […]

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O Silêncio que Estronda: Copacabana e o Fogo de Artifício

Existe um tipo de silêncio que grita. Um vazio carregado de sentido que se expressa não pela palavra, mas pela explosão controlada. O show de fogos de artifício sobre as areias de Copacabana é, antes de qualquer celebração, uma linguagem. Uma sintaxe complexa escrita com pólvora e luz contra a tela escura do céu, destinada a ser decifrada não pelos […]

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O Peso do Envelope Vazio, o Presente e a Reinvenção da Lenda em Klaus

Um mito não nasce de uma verdade, mas de um acordo. De um pacto coletivo para que certas palavras passem a significar mais do que dizem, que certas figuras transcendam a carne e se tornem ideia.  Klaus (2019), o filme de animação de Sergio Pablos, é, sob seu manto natalino, um tratado semiótico sobre esse preciso momento de gênese. Ele não […]

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O Campo de Batalha Inteiro é uma Câmera: Fotografia, Testemunho e Indiferença em Guerra Civil de Alex Garland

Guerra Civil - Poster

Uma mulher segura uma câmera. À sua frente, um homem sangra no asfalto. Ela não se ajoelha. Não grita. Ajusta o foco. Esse gesto — quase imperceptível, quase cotidiano — é o cerne de Guerra Civil (2024). Não se trata de uma anomalia ética, mas de uma mutação. A câmera já não é instrumento de denúncia. Tornou-se prótese da sobrevivência: […]

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Enterre Seus Mortos: A Poética do Declínio em Marco Dutra e Ana Paula Maia

Enterre seus Mortos - cena do filme

Há fins do mundo que chegam com estrondo. Fogo, cataclismo, ruína espetacular. O apocalipse de Marco Dutra em Enterre Seus Mortos é de outra ordem: mais insidioso, mais corrosivo. É um colapso que não se anuncia, mas se instala pela via da rotina. O filme, baseado no livro de Ana Paula Maia, não investiga o evento catastrófico, e sim seu […]

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