O bloco Corta-Penduricalho transformou a Rua em arena de crítica política. No Carnaval carioca de 2026, a folia saiu da piada fácil e abraçou a crítica ao que muitos chamam de “penduricalhos”: benefícios e supersalários no serviço público que elevam vencimentos acima do teto legal.
Com marchinhas, estandartes e humor, o grupo convidou foliões a desfilar em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, denunciando falta de transparência e pedindo mudança de conduta nos poderes.
Essa apropriação da festa popular como espaço de debate lembra que o Carnaval nunca foi apenas festa: historicamente, ele foi e continua sendo um termômetro social. Da sátira política às críticas mais diretas, a folia rende voz a temas que muitas vezes ficam nos gabinetes e nas manchetes frias.
Festa e cidadania nas ruas
No caso do Corta-Penduricalho, o humor não esconde a seriedade do recado. As letras e cartazes condensam anos de frustração com privilégios e a sensação de distância entre instituições e cidadania. Carnaval, aqui, funciona como micrófono aberto — e a população como comentarista.
O episódio ilustra um ponto: celebramos mais do que cultura quando desfilamos. Reafirmamos participação, vemos festa e política se cruzarem de forma criativa e crítica. Lembrando que a alegria pode — e muitas vezes deve — ser também lugar de reflexão.
