Casos diários de crueldade animal
O brutal ataque e morte do cão Orelha, em Florianópolis, chocou o Brasil e viralizou nas redes. Mas, para muitos profissionais do Direito e da infância, o episódio é apenas a ponta de um iceberg.
A juíza Vanessa Cavalieri, da Vara de Infância e Juventude do Rio de Janeiro, afirmou que casos semelhantes “acontecem diariamente” em grupos fechados na internet, como no Discord. Muitas vezes envolve adolescentes e jovens adultos reunidos para praticar e compartilhar atos de crueldade contra animais.
Reflexo da violência juvenil
O debate vai além da morte de Orelha: coloca em evidência uma questão social incômoda. Relatórios judiciais e especialistas citam a normalização da violência digital, a dessensibilização de jovens expostos a conteúdos extremos e a dificuldade de fiscalizar plataformas que deveriam limitar o acesso a menores.
Casos de maus-tratos contra cães e gatos, mesmo que nem sempre tão midiáticos quanto o de Orelha, ocorrem com frequência em muitas cidades brasileiras. Estatísticas judiciais apontam um número significativo de ocorrências diárias, evidenciando lacunas na aplicação das leis existentes e na prevenção efetiva desses crimes.
Para além do clamor popular — que levou manifestações e debates nas redes — a reflexão que emerge é política e cultural: como transformar comoção em políticas públicas eficazes? Restrição de acesso digital, supervisão familiar e educação em respeito à vida animal são partes da resposta, mas ainda insuficientes frente à rotina de violência.
