Matt Damon e o “Cinema do Celular”: quando o roteiro vira lembrete

O roteiro como aviso sonoro

Matt Damon disse algo que soa exagerado — mas atinge em cheio o modo como assistimos hoje: filmes da Netflix precisariam reiterar o enredo 3 ou 4 vezes nos diálogos, porque o público está com o celular na mão. Não é apenas uma crítica à plataforma. É uma crítica ao nosso tempo.

Se a atenção se fragmenta, o cinema sente. O que antes era silêncio, sugestão e construção, agora vira explicação. E o subtexto, muitas vezes, perde espaço para frases que parecem dizer: “Ei, lembra disso aqui?”.

A ação nos 5 minutos iniciais

Damon também aponta outra mudança: o modelo tradicional de filme de ação — crescendo até o grande clímax — estaria cedendo lugar ao impacto imediato. Explosão no começo, ritmo acelerado, e uma promessa constante de que “vai melhorar”.

É o algoritmo como editor invisível. Ele não quer arte lenta: quer retenção. E retenção exige urgência.

No fim, a frase de Damon não é só sobre Netflix. É sobre a pergunta que dói: se ninguém presta atenção, o cinema vira apenas ruído de fundo?

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