O Quebra-Nozes não quebra nozes: quebra a ilusão de que crescemos sem perda

Ninguém entrega um Quebra-Nozes a uma criança como se entrega um aviso: daqui a pouco, você vai ter que escolher entre acreditar no mundo ou entendê-lo.O objeto é oferecido com fitas, sorrisos, promessas de melodia e neve falsa — nunca com o rótulo que merece: instrumento de transição. Pois o verdadeiro fruto que esse boneco mastiga não é a casca […]

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Procurando Gary — quando o personagem vira fetiche real

Este texto não é uma reportagem factual, mas um ensaio cultural sobre rumores, imagens vazadas, narrativas algorítmicas e seus efeitos reais no comportamento simbólico. A cobra no jardim da cultura pop Não foi Eva quem estendeu a mão.Foi um adolescente de Chengdu, diante de uma tela de celular, deslizando para ver o making-of de Zootopia 2 — e deparando-se com […]

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A cena do orgasmo na Lanchonete de Harry & Sally: Feitos um para o Outro de Rob Reiner

Cena de Harry e Sally na lanchonete

Nenhuma fala é tão reveladora quanto aquela que se anuncia como mentira. Sally finge um orgasmo com a precisão de quem já ensaiou o gesto em silêncio, diante do espelho ou da memória dos outros. Seus gemidos são demasiado perfeitos: ritmados como verso, crescendo em cadência dramática, culminando em um suspiro que até o ketchup na mesa parece ouvir. E, […]

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A estética da vela: música, silêncio e experiência nos Concertos Candlelight

Concertos Candlelight

Numa era de telas brilhantes e áudio espacializado, os Concertos Candlelight propõem algo contra-intuitivo: escurecer a sala para ouvir com mais clareza. Centenas de velas tremulam — não como decoração, mas como condição. A chama mínima força o olhar a desacelerar, a respiração a acompanhar o ritmo do pavio que se consome. Aqui, a luz não ilumina o mundo; ilumina […]

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Não é Só Protesto — É Narrativa: A Rua como Palco da Semiótica da Justiça

imagem ilustrativa de uma rua

Nenhuma lei se escreve no ar.Toda justiça começa como palavra — mas nem toda palavra cabe em códigos. Quando as instituições falam em nome da Justiça, usam papel timbrado, rituais de batina e gavel. Já a rua, quando fala, usa o suor do corpo, o traço do pincel atômico, o estilhaço da voz rouca ao microfone improvisado. Não repete fórmulas: […]

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