A Noite que Mudou o Pop (Netflix) — Bastidores, Vazamento e a Verdade de We Are the World sob a Semiótica do Acaso

imagem ilustrativa

Na noite de 22 de janeiro de 1985, quarenta e cinco vozes entraram num estúdio em Los Angeles com uma missão clara: gravar uma canção que salvaria vidas.O que saiu dali, horas depois, não foi apenas We Are the World — foi um acontecimento simbólico, frágil, contraditório, atravessado por hierarquias silenciosas e gestos involuntários. Em A Noite que Mudou o […]

Continue Lendo

A Maleta de Pulp Fiction: o Significado do MacGuffin que Brilha

cena de Pulp Fiction

Há objetos que existem menos pelo que são do que pelo vazio que carregam. A maleta em Pulp Fiction não contém ouro, documentos secretos ou uma cabeça decepada. Não contém nada que os olhos possam fixar. E ainda assim, quando Vincent abre a trava e Jules se ajoelha, algo irradia: uma luz dourada, quase litúrgica, que banha os rostos como […]

Continue Lendo

Quero Ser John Malkovich – O Corredor de Sete Minutos e Meio: Sobre Corpos Alugados e a Falência do Nome Próprio

Quero Ser John Malkovich - poster

Não se entra em John Malkovich.Entra-se através dele — como quem atravessa um espelho que não reflete, mas absorve. O portal no teto baixo do andar 7½ não é uma passagem mágica, mas um diagnóstico clínico disfarçado de piada absurda: o sujeito contemporâneo não mais sofre de não ser reconhecido. Sofre de ser demasiado ele mesmo. Craig Schwartz, marionetista frustrado, […]

Continue Lendo

Entre o Espelho e a Aranha: O Duplo e a Ditadura em O Homem Duplicado

cena do filme O Homem Duplicado

Nem todo rosto é habitado.Há corpos que andam com licença provisória — ocupados por uma assinatura, um cargo, um silêncio bem-ensaiado.Em O Homem Duplicado, não há confronto entre o eu e o outro. Há substituição.O espelho, antes superfície inerte, torna-se boca: engole o nome, o gesto, a memória. Resta apenas um zumbido — o som de um telefone desligado no […]

Continue Lendo

O Duelo que Nunca Aconteceu: Cliff Booth, Bruce Lee e a Crise do Herói em Hollywood

Cliff Booth e Bruce Lee em cena de Era Uma Vez em… Hollywood

Não há sangue ou golpe decisivo. Não há derrota declarada.E ainda assim, em um corredor poeirento dos estúdios, cercado por trailers e pelo zumbido distante de produções paralelas, em Los Angeles, 1969, ocorre um dos confrontos mais violentos do cinema contemporâneo — não pela força dos corpos, mas pela força dos mitos que eles carregam. Cliff Booth (Brad Pitt), com […]

Continue Lendo

O Lado Bom do Mal: Subjetividade, Estigma e Encantamento em Wicked

Imagem ilustrativa do filme Wicked

Nenhuma bruxa nasce bruxa. Ela é nomeada. Antes do chapéu pontudo, antes da vassoura, antes mesmo do gato — há um momento em que alguém decide que aquilo não é apenas diferente, mas perigoso. Em Wicked, esse momento não é dramático. Não há trovão, não há pacto com demônios. Há apenas uma criança verde nascendo num mundo que acredita no […]

Continue Lendo