Thom Yorke segura o troféu Fellowship ao lado de Harry Styles durante o Ivor Novello Awards 2026 em Londres
Música | Ensaios | Notas

Thom Yorke recebe a maior honraria da composição britânica — e o prêmio revela por que influência vale mais que sucesso

Existem prêmios que medem popularidade. Outros medem permanência.

Ao entregar seu Fellowship Award a Thom Yorke, a indústria britânica parece ter reconhecido algo mais difícil de contabilizar: o impacto de um artista que mudou não apenas o que as pessoas ouviam, mas o que outros músicos passaram a criar.


O Fellowship que poucos conquistam

O Fellowship do Ivor Novello é entregue pela The Ivors Academy e representa o reconhecimento máximo da composição britânica.

Nos anos anteriores, chegou às mãos de Paul McCartney, Elton John e Kate Bush. Na 71ª edição da premiação, realizada em 21 de maio de 2026 no Grosvenor House Hotel, em Londres, foi a vez de Thom Yorke.


Harry Styles e a admiração que virou homenagem

Quem o apresentou foi Harry Styles. E o discurso disse tudo o que o prêmio queria dizer.

Styles admitiu que apresentar o líder de sua banda favorita era “uma honra verdadeiramente aterrorizante”.

Nascido um ano depois do álbum de estreia do Radiohead, Pablo Honey, ele cresceu absorvendo as músicas da banda pela porta do quarto da irmã mais velha — e as reencontrou em festas e momentos solitários ao longo da vida.

O que Styles descreveu não é fandom. É influência estrutural.

Em seu discurso, ele foi direto: não conseguia exagerar o quanto o trabalho de Yorke continua a influenciá-lo. E foi ainda mais longe — traçou uma linha direta entre Exit Music (For a Film) e Watermelon Sugar, sua própria canção.

A plateia riu, mas a afirmação ficou no ar.


Quando a arte muda o que vem depois

O Radiohead nunca foi uma banda de sucesso fácil.

OK Computer (1997) e Kid A (2000) desconcertaram gravadoras, confundiram rádios e redefiniram o que o rock poderia ser.

Em vez de explorar uma fórmula que funcionava, Yorke a destruiu a cada novo ciclo. Guitarras deram lugar a glitches eletrônicos. Melodias pop cederam espaço a texturas de ansiedade pura.

Esse movimento constante de recusa — recusa ao conforto, ao formato, à expectativa — é exatamente o que o Fellowship reconhece. Não o que Thom Yorke vendeu, mas o que ele tornou possível para quem veio depois.

Em quase 35 anos lançando músicas, Yorke transformou sentimentos de ansiedade e alienação em atmosferas, hinos e arte — e mostrou, repetidamente, como soa o futuro.

Isso não tem chart. Mas tem peso.

Talvez seja esse o sinal mais raro de permanência artística: quando o reconhecimento chega não porque alguém dominou seu tempo, mas porque ajudou a definir o próximo.


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