Há filmes que nascem como promessas. Outros, como enigmas. A Odisseia, anunciada por Christopher Nolan, parece ocupar ambos os lugares — e talvez um terceiro, ainda indefinido: o do cinema que se aproxima do mito não para ilustrá-lo, mas para testá-lo à luz do presente. Quando Nolan confirma sua adaptação do poema homérico, o gesto parece ir além da simples […]
Dark Horse: O que Esperar Quando o Cinema Escolhe Não Ver
Este artigo é um ensaio crítico e interpretativo, escrito a partir dos materiais, anúncios e imagens que circulam publicamente sobre o projeto Dark Horse, antes de seu lançamento oficial. Não se trata de uma análise do filme concluído, mas de uma leitura sobre expectativas, enquadramentos narrativos e escolhas simbólicas que já se revelam no discurso promocional. O texto a seguir […]
A Espiral Vermelha: Como Noite Infeliz Converte o Papai Noel em Rito de Sangue e Renovação
O vermelho do Papai Noel não é apenas a cor do veludo ou do tafetá. É a cor do sangue, do sacrifício, do fogo que aquece e que consome. Noite Infeliz (Violent Night, 2022), dirigido por Tommy Wirkola, compreende essa dupla natureza com a frieza de um açougueiro e a precisão de um semiólogo. O filme não se contenta em vestir […]
Você Falou Idioma, Eu Ouvi Ideologia
Este não é um texto sobre publicidade, nem sobre boicotes.É um ensaio sobre linguagem, polarização e o momento em que expressões banais deixam de operar como idioma e passam a funcionar como armas simbólicas. O caso Havaianas e o colapso do sentido comum Há situações em que um episódio específico revela algo que o ultrapassa. Um gesto pequeno — uma […]
A Arquitetura do Cerco: “Duro de Matar” e a Semiótica do Espaço Sitiado
O Natal é, por excelência, a narrativa da abertura. É o tempo simbólico da comunhão, da casa iluminada, da família reunida, da suspensão provisória dos conflitos. Mesmo quando esvaziado de fé, o Natal permanece como ritual: luzes acesas contra a noite, música ambiente, copos erguidos, promessas de reconciliação. Um intervalo civilizatório em que o mundo deveria, ao menos por algumas […]
Quando a Sede Virou Fé: Papai Noel, Coca-Cola e a Teologia do Consumo
Há deuses que nascem de templos. Outros, de campanhas publicitárias. Papai Noel não foi inventado pela Coca-Cola — mas foi ela quem o tornou inevitável. Antes de 1931, o bom velhinho era uma figura dispersa: ora magro, ora alto, vestido de verde, marrom ou azul. Havia tantos Papais Noéis quanto tradições natalinas. Mas bastou que Haddon Sundblom pegasse um pincel […]