O desaparecimento de Ulysses Guimarães no mar de Angra dos Reis
Em 12 de outubro de 1992, a política brasileira viveu um de seus episódios mais trágicos e enigmáticos: o desaparecimento de Ulysses Silveira Guimarães, durante um voo de helicóptero saindo de Angra dos Reis em direção a São Paulo.
A bordo estavam sua esposa Mora, o empresário e ex-senador Severo Gomes, a mulher dele e o piloto. O contato com a aeronave foi perdido por volta das 15h30.
Dias depois, partes do helicóptero foram encontradas no mar — mas o corpo de Ulysses jamais apareceu, mesmo após extensas buscas com participação da Marinha.
Ulysses Guimarães, a Constituição de 1988 e seu legado político
A ironia da história pesa: o “Senhor Diretas”, que presidiu a Assembleia Nacional Constituinte e promulgou a Constituição Cidadã de 1988, desapareceu poucas semanas após a Câmara aprovar o impeachment de Fernando Collor — um processo do qual ele foi um dos principais articuladores.
Desde então, teorias conspiratórias nunca deixaram de circular. Alguns comparam seu caso ao de Juscelino Kubitschek, sugerindo que ambos os acidentes teriam sido provocados por sabotagem. A motivação apontada é justamente o papel central de Ulysses no impeachment de Collor.
Nenhuma das suspeitas, porém, ganhou prova concreta.
Do ponto de vista jurídico, o caso foi tratado como morte presumida. A registradora responsável do distrito de Angra dos Reis explicou que, como havia certeza de que Ulysses estava no helicóptero e não houve sobreviventes, o procedimento foi de justificação de óbito — sem corpo, mas com certeza da morte.
O que sobrou foi o legado: seu nome batiza o principal plenário da Câmara dos Deputados, e ele integra o livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, ao lado de Zumbi dos Palmares, Tiradentes e Chico Mendes.
Ulysses não pôde ser enterrado. Mas também não pode ser esquecido.







